O mercado de citros brasileiro começou o ano de 2026 de forma tímida tanto no segmento de mesa quanto na indústria, refletindo um cenário de baixa demanda e ritmo de negócios aquém do esperado, segundo dados da equipe Citros/CEPEA.

Demanda Fraca e Mercado Lento
Nos primeiros dias de janeiro, as vendas de laranja no mercado de mesa mantiveram-se lentas, continuidade de um movimento observado desde o final de dezembro. Os compradores têm adotado uma postura mais cautelosa, o que tem reduzido o giro de produtos e pressionado agentes a ajustarem negociações.
Essa lentidão não se restringe ao mercado de consumo in natura. O segmento industrial — responsável por grande parte da produção citrícola brasileira — também apresenta baixo ritmo de compras. Algumas processadoras chegaram a reduzir a aquisição de novos lotes, e em alguns casos estão concluindo atividades de moagem, sinalizando menor dinamismo na indústria neste início de temporada.
Preços: Recuperação Moderada no Mercado de Mesa
Apesar do ritmo lento, os preços têm mostrado sinais de reação em alguns segmentos:
- Laranja pera de mesa na árvore registrou média de R$ 42,01 por caixa de 40,8 kg, alta de cerca de 5,7% em relação à semana anterior.
- Isso ocorre mesmo com o mercado mais calmo, impulsionado pela qualidade das frutas tardias, que ainda mantêm boa aceitação.

Demandas e Cotações Setoriais
No setor industrial, embora a negociação de laranja pera poste na fábrica avançasse ligeiramente (1,6% frente à semana anterior), o quadro ainda é de baixa movimentação no mercado spot — aquele sem contratos fixos de fornecimento.
Outras variedades também refletem esse padrão de adaptação:
- Laranja lima: média de R$77,75/cx, com queda de 2,56%.
- Valência: média de R$51,00/cx, recuo de 2,55%.
- Laranja natal: média de R$35,96/cx, queda mais acentuada de 13,70%.
Mesmo a lima ácida tahiti — popular no mercado interno e externo — apresentou melhora na demanda, porém sem reação significativa de preço na primeira semana do ano.
O Que Isso Significa para o Setor?
O desempenho lento no início do ano pode ser atribuído a fatores típicos do período pós-festas e à cautela dos compradores diante de estoques e perspectivas de consumo ainda incertos. Além disso, variações climáticas e condições de mercado internacional contribuem para uma demanda mais moderada.
Apesar disso, a recuperação pontual de preços no mercado de mesa sugere que há espaço para ajustes conforme a temporada evolui, especialmente se a qualidade e o padrão das frutas continuarem atraindo compradores.