Uma pesquisa internacional envolvendo cientistas brasileiros acaba de revelar como a bactéria causadora do cancro cítrico “engana” a planta para se proliferar, uma conquista que abre caminho para métodos mais eficientes de controle da doença que ameaça pomares de laranja e outros citros.
O que é o cancro cítrico?
O cancro cítrico é uma das doenças mais prejudiciais às culturas de citros no mundo. Causada pela bactéria Xanthomonas citri, a doença provoca lesões em folhas, frutos e ramos, reduz a produtividade e pode limitar a comercialização das frutas — em especial em mercados que exigem alta qualidade fitossanitária. Fundecitrus+1
Uma “tática” surpreendente da bactéria
O estudo, conduzido pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em parceria com a Universidade de Tübingen (Alemanha) e publicado na revista Science, revelou que a bactéria usa uma estratégia sofisticada para infectar a planta. CNPEM
Segundo os pesquisadores, a bactéria injeta na planta uma proteína chamada PthA4, que “ativa” um gene da própria laranja — o CsLOB1, que está naturalmente ligado ao amadurecimento dos frutos.
Esse “hack” faz com que a planta comece a produzir enzimas que degradam suas próprias paredes celulares, liberando açúcares simples como glicose, frutose e xilose. Em vez de servir para o amadurecimento, esses açúcares viram alimento para a bactéria, favorecendo sua multiplicação e agravando a doença.

Por que essa descoberta é importante para o agronegócio
Essa descoberta não é apenas um avanço científico, ela tem potencial impacto econômico global, especialmente para países como o Brasil, que lideram a produção e exportação de laranja e suco de laranja.
Entender como o Xanthomonas controla metabolismos da planta permite imaginar novas formas de bloquear esse processo, seja por meio de:
- Desenvolvimento de plantas que não ativem o gene explorado pela bactéria;
- Moléculas que impeçam a liberação ou utilização dos açúcares pela bactéria;
- Estratégias de manejo que reduzam a proliferação do patógeno no pomar.
O quadro atual do cancro cítrico
Apesar de décadas de esforços, o cancro cítrico ainda circula em pomares, exigindo o uso de medidas como eliminação de plantas doentes, uso de mudas sadias, quebra-ventos e defensivos em algumas regiões, embora nenhum seja capaz de erradicar totalmente a doença. Revista Pesquisa FAPESP
O avanço da pesquisa amplia o arsenal de conhecimento para técnicos e produtores criarem soluções mais eficazes no futuro próximo.
💡 Conclusão:
A descoberta do mecanismo de ataque molecular do Xanthomonas citri representa um marco no combate ao cancro cítrico. Ao revelar como a bactéria “sequestra” o metabolismo da planta para obter nutrientes, a pesquisa abre novas portas para estratégias de controle mais inteligentes, sustentáveis e economicamente viáveis — o que pode transformar a gestão dessa doença no agronegócio dos citros globalmente. CNPEM