O setor agropecuário brasileiro foi protagonista de um ano econômico positivo em 2025, contribuindo de forma decisiva para a melhora de indicadores macroeconômicos importantes, como o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação. No entanto, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) alerta que 2026 deve trazer desafios significativos para os produtores rurais, devido a fatores internos e externos que influenciam o ambiente de negócios no campo.

Agro: Pilar da Economia em 2025
Segundo balanço divulgado pela CNA em coletiva de imprensa, o agronegócio desempenhou papel fundamental na economia nacional em 2025. A entidade destacou que sem a contribuição do setor, o país poderia não atingir metas econômicas essenciais, o que teria exigido uma política monetária ainda mais rígida.
Entre os destaques:
- A inflação deve fechar 2025 em cerca de 4,4%, com o auxílio direto do desempenho do agro.
- O PIB do agronegócio teve forte expansão estimada em 9,6%, refletindo uma atividade econômica vigorosa.
Esse cenário mostra como a agricultura, pecuária e segmentos agregados continuam a ser alicerces importantes para a estabilidade econômica do Brasil, mesmo em um contexto global desafiador.
Incertezas e Riscos para 2026
Apesar do desempenho robusto em 2025, a CNA ressalta que 2026 deve ser um ano mais complexo e incerto para o setor rural. A projeção é de que o crescimento do PIB do agronegócio desacelere para aproximadamente 1% em 2026, indicando um movimento de moderação após os números expressivos do ano anterior.
Entre os principais fatores que preocupam produtores e especialistas:
📉 Ajuste Fiscal e Política Econômica
O governo terá como objetivo principal o equilíbrio das contas públicas e cumprimento de metas fiscais, o que pode resultar em maior fiscalização tributária, criação de novas bases de arrecadação e outras medidas que impactem o ambiente de negócios no campo.
💸 Endividamento e Custo de Crédito
O crédito rural vem registrando níveis de inadimplência elevados, com taxas que cresceram de forma expressiva nos últimos meses — reflexo do aumento de custos de produção, desafios climáticos e taxas de juros mais altas.
☁️ Falta de Instrumentos de Gestão de Risco
A cobertura de seguro rural se mostrou insuficiente em 2025, com baixa adesão a programas de subvenção, deixando muitos agricultores mais vulneráveis a perdas climáticas e condições desfavoráveis de mercado.
Valor Bruto da Produção: Sinais Mistos
Apesar dos desafios, as projeções de Valor Bruto da Produção (VBP) para 2026 seguem em crescimento em comparação a 2025:
- O VBP total deve alcançar cerca de R$ 1,57 trilhão, um aumento de aproximadamente 5% em relação ao ano anterior.
- A produção agrícola lidera esse resultado, estimada em crescimento de mais de 6% graças ao desempenho dos grãos.
- O segmento da pecuária também deve registrar expansão, embora em ritmo mais moderado. CNA
Esses números mostram que, mesmo em um cenário de maior cautela econômica, o agro brasileiro mantém capacidade de gerar riqueza e sustentar a economia nacional.
Perspectivas e Caminhos para o Setor
O balanço feito pela CNA ressalta que a superação dos desafios de 2026 dependerá de ações coordenadas entre o setor produtivo, governo e instituições financeiras, incluindo:
- Melhor acesso a instrumentos de gestão de risco, como seguros rurais eficazes;
- Políticas públicas que equilibrem arrecadação com incentivo à produção sustentável;
- Estratégias que fortaleçam o crédito rural e reduzam a vulnerabilidade financeira do produtor.
Somente com esses pilares será possível manter a competitividade do agronegócio brasileiro e garantir que ele siga contribuindo de forma significativa para a economia nacional nos próximos anos.
Conclusão
O agronegócio brasileiro encerra 2025 com desempenho destacado em indicadores macroeconômicos, sustentando o crescimento do PIB e contribuindo para a estabilidade da inflação. Porém, o cenário para 2026 exige atenção: com um ambiente econômico mais complexo, os produtores rurais precisam se preparar para desafios que vão da gestão financeira à adaptação de práticas mais resilientes.
O futuro do setor dependerá da capacidade de responder com inovação, apoio institucional e estratégias que equilibrem produtividade com sustentabilidade e segurança econômica.